O primeiro desafio é o acesso e a disponibilidade de recursos. O tratamento antiretroviral está disponível desde 1996, mas o real acesso ao mesmo começou apenas quando houve pressão pública aos líderes mundiais e os preços dos medicamentos começaram a cair. Hoje em dia, ativistas na luta contra a Aids/SIDA repetem esses esforços para reduzirem os preços, desta vez, para os antiretrovirais de segunda linha. É inaceitável que 98% das mulheres grávidas em países desenvolvidos podem acessar o tratamento profilático ao HIV/VIH para evitar a transmissão do HIV/VIH aos seus bebês, quando apenas pouco mais de 33% das mulheres grávidas em países em desenvolvimento podem fazê-lo.A notícia coincide com a Assembléia Geral das Nações Unidas realizada essa semana e durante a qual o Secretário Geral nos lembrou “nosso compromisso com a equidade” e onde eu apelei para vários Chefes de Estado comprometidos com a promoção da equidade que insiram em suas agendas a equidade na resposta à Aids/SIDA. Não podemos permitir que os custos impeçam as pessoas de terem acesso a uma vacina.O segundo desafio é criar as condições adequadas para uma aceitação massiva de uma vacina. Uma vez mais, mulheres e meninas não são capazes de tomarem suas próprias decisões sobre sua saúde e educação. Muitos homens e mulheres não buscam a testagem ao HIV/VIH por medo do estigma e da discriminação. Pessoas sem vozes – profissionais do sexo e seus clientes, usuários de droga injetável e homens que fazem sexo com homens – são constantemente excluídos dos programas de saúde e de bem-estar social. Esperamos que a sociedade civil continue a quebrar as barreiras que dificultam a aceitação de uma vacina.O terceiro desafio está na criação de sistemas de saúde capazes de fornecer a vacina. Atualmente as clínicas estão orientadas à imunização de bebês e crianças. Os maiores benefícios de uma vacina anti HIV/VIH serão obtidos provavelmente vacinando os jovens e as pessoas mais expostas ao HIV/VIH do atual estudo de coorte. Se fracassarmos em fazer chegar a vacina aos adolescentes representará outro fracasso que é o de acabar com a coluna vertebral da epidemia. Não há tempo para complacência em nossos esforços para deter as novas infecções pelo HIV/VIH. O mundo precisa de uma forte campanha de prevenção do HIV/VIH que esteja embasada em dados e fincada nos direitos humanos. É chegada a hora de acabar com a discriminação, as más leis e as normas sociais perniciosas que alimentam a transmissão do HIV/VIH.Durante as próximas semanas, cientistas e líderes mundiais devem se conscientizar desses desafios e compreender as implicações dos resultados do estudo tailandês. Ainda faltam anos, ou décadas para uma vacina “pronta para uso”, porém, quando estiver disponível, deverá ser financiada como um bem público e que esteja acessível para todos. De que outra maneira podemos por um fim nessa epidemia?